“Dialogo Institucional”

O dialogo com as instituicoes da morte se dao atraves da vigilancia e punicao.

Esse trabalho registra em 2011 a falencia das instituicoes totais, as quais inquisitoramente repetem o erro milenar, espalhando opressao, operando o estatuto da mesmice, o medo do medo de acordar de manha cedo.

As instituicoes da morte sao representantes da cronica triade neurotizada, social.

A manutencao da doenca se dah atraves do discurso do padrasto, repeicao do vazio, caos da covardia, ciclo.

… Ao entardecer as paredes pintadas de laranja.

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Acidente Fortuito

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Bomba Verde

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UNIVERSUS – historico 1997 – 2011

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UNIVERSUS 1997 – 2011

Universus eh o q sobrou daquilo tudo agora, eh o q dah pra ser feito com o q tem, acidente fortuito, erro, coisa tosca, merda, inesperado, chegada, engodo, ilusao, mentira, copia, colagem, energia latente, ganbiarra, casa do caralho, coisa sinistra, fino linho, o inalcancavel, o impossivel, revira volta, raiva em tons pasteis, azul do mar, branco das nuvens, flor no meio da multidao.

O primeiro UNIVERSUS foi parido em 1997 no ALFANDEGA, no armazem do Cais do Porto, mesmo sem nome no convite Aimbere deixou executar a montagem do negocio. Utilizamos o lixo do armazem q estava em baixo do palco, canos de plastico grossos e finos, arames… UNIVERSUS vem da necessidade de articular particulas, rede, nucleos, formar tecido, unir, interagir, tecer, desfazendo em tons oniricos a viagem psico-pompica, rizoma.

As profundezas do inferno honestamente ensinam, eh no cemiterio dos mortos vivos onde a raiz da arvore mais frondoza bebe a agua da vida, lah observei as pedras do poco humido onde a luz nao chega, o calor vem do bafo dos seres obscuros. UNIVERSUS, coisa descontrolado, obnubilada, hesferica e disformica, coisa publica, democracia de fato, participacao direta, ato.

Em 1998 peguei barbantes do atelie de minha mae, comecei a ligar objetos a outros.

Na casinha comecei de novo a coisa. A articulacao saiu da casa, foi pra Vila, tomou rumo & a Universidade. No Cambralha de 1998, sob severa critica, o UNIVERSUS se fez presente, com mais de 10 toneladas de sucatas da instituicao da morte, mais de 500 quilos de roupas, mais de 10 quilometros de barbantes… 100 alunos fazendo a coisa existir. Quando um professor pos-doutorado falou em sala q o UNIVERSUS eh arte contemporanea, tudo ficou menos estranho para o social. Outro professor q falou sobre o Universus, do Dep. de Artes, disse – “Me lembra Helio Oiticica”.

O UNIVERSUS, na PUC-Rio, mesmo sendo um espaco extremamente elitista, expos para mais de 10 mil alunos, professores e moradores das redondesas, o q as instituicoes da morte representam.

O maior educador brasileiro disse de baixo do UNIVERSUS, no Cambralha, q lembra “O Ministerio da Educacao, e somente colocando fogo e comecando tudo de novo para ter jeito”. Lauro de Oliveira Lima, Tunga, Cabelo, Chacal e muitos outros pensadores falaram, cantaram, recitaram de baixo do UNIVERSUS naquela semana. 

O UNIVERSUS mostra tudo aquilo q nao queremos ver, bem de perto, energias arquetipicas destrutivas em movimento, independentes e inatas. Talvez essa fosse outra definicao de cinema, “energias arquetipicas em movimento”. 

No ano seguinte, 1999, uma menina perguntou se era possivel o UNIVRSUS no MAM, Festival Glauber Rocha… a sincronicidade sincronica, acidente fortuito, o nao dito, elementos alquimicos em atividade.

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“Fragmento Galaxial.”

Capítulo 01

Todo silêncio da força do tempo se encontra nessa intenção, silêncio, pureza imaculada, fortalecimento e sangue quente. No começo tudo é água silenciosa, com os deuses escondidos nela.

Tudo acabou de começar, a cidade em seu vapor liquefeito, num Estado lastimável, continua a funcionar. O atividade do plantão está me esperando para solitário chegar até o cume da colina, no caminho me socializo com Batoré, com as cabras e o cavalo, todos soltos no mato. As galinhas ciscam, o gavião de cima da árvore observa, é meio dia, hora do almoço.

Meus braços giram, meu corpo levita, enterrado nas profundezas da terra, minhas raízes me conectam, pairo depois do sol dourado, vivo além dos três estados, onde quero, com o rei, a rainha & todo o império.

A doença se propaga em linha reta, desordenadamente sincrônica com a resposta do eco dos movimentos dos corpus iluminados, é a vez de outro ciclo, o antigo caminho parece mudar mas é apenas outro ângulo do mesmo. Os astros flutuam, o grande planeta se aproxima, passo as matérias em viagem descontroladas, meu corpo queima, meu espírito continua de braços abertos pelo universo. O girador passa num cometa, as formas geométricas de cores vivas atuam com os numinosos pequeninos, o cavalo pula a janela comigo montado nele, o idioma codificado começa a fazer sentido pra mim.

Capítulo 02

A arte recomeçou das cinzas, a Phoenix, a Lótus, o Anjo Negro e as folhas que caem… a partir daí o inverno se vai. O melhor dia é segunda-feira aqui no cemitério dos mortos vivos, sombra coletiva, a professora armeniana que ensina um pouco na escola da vida. Alguns pássaros cantam a noite, depende da intensidade das energias da terra com as correntes do fundo do mar, as marés de fogo e a vontade de Deus. Diabo me olha de perto. O calor toma o hemisfério sul, domado letárgico, suor e gozo. As águas do mar limpam o fora de controle, põe de volta o material perdido, se equilibram as fases da lua, abrigam legiões distantes, fronteira cósmica, as ruas são outra coisa. É nesse lugar dos monstros devoradores que está guardada a pedra dilacerada, preciosa, quanto mais feroz o dragão mais bela a princesa.

Capitulo 03

As memórias afetivas populares resistem, as batalhas perdidas reafirmam a causa, a guerra está por revelar o obvio utopico, outras esquinas, Monan respira, a Guanabara urge em plenitude no alto do azul, na areia branca, matas e pedreiras de Xangô-Agodô, Justiceiro anunciador.

Enquanto a batalha se trava no alto, em baixo o jogo não para, o ser humano é escravo do mesmo, da culpa, da doença, do medo do medo e, da morte. Desvio quando impossível. De repente as coisas deram certo, agora bebo bebida cara, pelo menos até amanhã… Aí então uma sardinha, uma dose de cachaça e carnaval… até o dia raia, depois é outro casamento.

Capítuol 04

Diabo – Meu sangue é o seu vinho, seu tesão meu caminho, minha cura sua aventura, minha loucura seu destino, tudo esturdindo.

Viandante – O silêncio nos traz esse encontro.

Diabo – A arte das vísceras é o meu alimento, a merda a comida clandestina, o sexo a nossa oração maldita, o beijo o segredo proibido, a libertação sexual, loucura dos reprimidos.

Viandante – O medo é o meu destino, sou afrodisíaco, tenho mel no corpo, sou o poeta morto.

Diabo – quanto mais longe mais perto, quanto mais tu foges, mais te capturo. Outro trago, a sua concepção do tempo me faz inexato, a minha morena o seu rabo, sou o nadador do lago.

Viandante – Abro sua janela, amigo endemonizado, transpasso-a alucinada, sinto o coracao do universo, durmo em seus bracos.

Diabo – a decomposição é o ritmo do meu coração, estou tentando acordar, a prisão é o sonho acordado da realidade cotidiana absurda, gosto com o sol, gozo da lua.

Viandante – No inferno do inverno sempre floresce primavera de amor, atrás de mim as grades, na frente possibilidades, você obedece o que sou, me defende, me guarda, cumprimos prisão perpétua, nada é pra sempre, o além é outra coisa.

Diabo – A sua terapia é a minha mania, sua loucura minha alegria, sua herança minha dinastia, seus sonhos minha putaria. Sou escravo alforriado, venho do quilombo do alto, da antiga aldeia criminosamente incendiada. Sua associação de idéias meu jogo, os números naturais, osso, o volume o torto, muitos dos conteúdos profundos estão trancados no calabouço.

Viandante – Agora o sol poente está laranja, colorindo as muralhas altas de Jerusalém antiga, o barbudo que passou debaixo do arco, andei pelo deserto amarelo, nadei no vermelho mar, no monte de mais um começo, agora volto pra eu-mesmo.

Final

Nascimento, parto, porta, porto…

A tortura do corpo denuncia o processo da alma. Um cigarro um trago, agora sem muita paciência, é hora de ser calmo. Duas laranjas sob a mesa, um fogão improvisado e alguns livros roubados, falta pouco pra liberdade imediata.

A ignorância denuncia a covardia, a retomada da antiga Guanabara se faz necessária. A falta de significado mata outro ídolo descartável, as formas preenchidas por matéria confusa se alteram na dança da caçamba. No fim, a sensação é a mesma, o escuro estronda oprimindo.

Os peixes me acompanham, a sobriedade é o reencontrar da vida, sonho arcaico, onirico, medonho. As pessoas continuam com esquecidos tesouros submersos, a escola da morte se propaga em linha reta, a sociedade não tão atraente agora ejacula gozo pra todo lado, o Anjo Negro continua aqui. A paciência diminui ao extremo, lembro, reconheço parcialmente o terreiro, cabeça feita, banho de cachoeira.

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“Um inferno sem lazer”

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Sonudclound

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